Lendo mulheres 2021

Para 2021, a ideia é ler autoras mulheres de países diferentes – uma por mês. É claro que queremos e vamos ler mais mulheres que isso, mas esse desafio é para ficar mais ~ oficial ~ e convidar quem quiser vir nessa com a gente!

Este ano, pela primeira vez, escolhemos previamente alguns livros a serem lidos a cada mês – mas de resto, ainda seguimos sem metas, lendo o que quisermos, na hora que quisermos, aquela bagunça que a gente gosta – então, torçam por nós, e ajudem a gente.

Os países e livros escolhidos são*:


• janeiro: Brasil
O inventário das coisas ausentes – Carola Saavedra
Carola é brasileira, mas nascida no Chile em 1973. Seus romances foram listados entre finalistas de diversos prêmios importantes, como o da Associação Paulista dos Críticos, o Prêmio São Paulo de Literatura, o Prêmio Rachel de Queiroz e o Jabuti. Além disso, está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros de acordo com a revista Granta.

• fevereiro: Irã
O alforje – Bahiyyih Nakhjavani
Bahiyyih nasceu no Irã, e viveu em muitos países, como Uganda, Estados Unidos, País de Gales e Inglaterra, e atualmente vive na França. O alforje, um de seus livros em circulação no Brasil, se passa no deserto, na estrada entre Meca e Medina. Vamos acompanhando as histórias das personagens que se cruzam e se encontram no alforje.

• março: Chile
Mulheres de minha alma – Isabel Allende
Allende é chilena, nascida no Peru, mas logo criança voltou para Santiago, após seu pai ter deixado sua mãe – que se viu sem opções, além de pedir ajuda à sua família de origem. Logo após o golpe militar, que instaurou a ditadura militar do general Pinochet no Chile, Allende se exilou na Venezuela, e viveu em muitos países. Atualmente reside nos Estados Unidos, e todo dia 08/01 começa a escrever um novo livro. Em Mulheres de minha alma, Allende debruça-se sobre suas primeiras memórias, feminismo, amor e a recente pandemia de covid-19.

• abril: França
Teoria King Kong – Virginie Despentes
Teoria King Kong promete ser um livro escandaloso! Estupro, a indústria pornô e um feminismo punk rock são alguns dos temas abordados pela autora. Virginie Despentes é lésbica e é bastante conhecida por abordar de modo cirúrgico questões de gênero e sexualidade em seus livros.

• maio: Israel
Uma noite, Markovitch – Ayelet Gundar-Goshen
O romance de estreia da autora israelense – que, inclusive, fez uma mesa incrível na FLIP junto com a nigeriana Ayòbámi Adébáyò em 2019 – se passa durante a guerra árabe-israelense de 1948, momento em que o estado de Israel é criado oficialmente. Grupos de homens israelenses iam à Europa nazista para se casar com mulheres judias e leva-las de volta a Israel. Assim que eles chegavam ao destino final, o casamento era desfeito de comum acordo, até que Markovitch decide não se divorciar.

• junho: Venezuela
Noite em Caracas – Karina Sainz Borgo
Outro romance de estreia, esse livro já foi publicado em 23 países, desde 2019! Em Noite em Caracas, após a morte da mãe, Adelaida Falcón se vê desamparada em uma cidade que não parece mais reconhecer. Sabemos pouco sobre o livro, mas receber indicações incríveis de pessoas que confiamos, então, vamos juntas descobrir mais sobre essa história!

• julho: Polônia
Para o meu coração num domingo – Wisława Szymborska
Para esse mês, escolhemos nossa canceriana favorita! A poesia de Szymborska foi um dos primeiros assuntos no início do nosso romance, e, nessa terceira coletânea publicada no Brasil, há 85 poemas – tanto em português quanto no original em polonês – dispostos em ordem cronológica, de 1957 a 2012. Anders Bodegard, tradutor de Szymborska para o sueco, afirmou, a propósito de sua poesia: “Ela é uma ilusionista: em todos os seus poemas aparece um coelho imprevisto tirado da cartola. É com as ilusões que Szymborska os pega pela cauda, levanta, envolve nas mãos, sacode – com delicadeza, muita delicadeza – e depois os coloca de volta no lugar, mudados para sempre.” (p. 363) Em 1996, Szymborska foi laureada com o Nobel, segundo ela, graças ao tradutor sueco.

• agosto: Estados Unidos
Entre nós mesmas: Poemas reunidos – Audre Lorde
Essa edição da Bazar do Tempo é composta por três obras fundamentais da poeta e ativista dos movimentos negro e LGBT: Uma terra onde o outro povo vive (1973)Poemas escolhidos – velhos e novos (1978) e Entre nós mesmas (1982). Os poemas são apresentados em dois idiomas: no original – em inglês – e a tradução em português. Ainda não lemos os poemas dessa autora, mas recebemos muitas indicações, por isso, estamos muito ansiosas para lermos juntas!

• setembro: Nigéria
As alegrias da maternidade – Buchi Emecheta
Buchi Emecheta é uma das autoras mais influentes não apenas na Nigéria, mas em todo o mundo de língua inglesa. Ao abordar temas como a educação da mulher, violência contra mulher e o papel da maternidade na definição da mulher, Emecheta pretendia questionar esteriótipos tanto em relação à mulher, quanto à sociedade colonial nigeriana. As alegrias da maternidade foi o livro que Chimamanda Nogzi Adichie indicou quando foi convidada para ser curadora de um clube literário no Brasil.

• outubro: Ruanda
Nossa Senhora Do Nilo – Scholastique Mukasonga
Nesse romance memorialista, a autora relata o início do genocídio de Ruanda (1994), do qual ela própria sobreviveu, porém perdeu toda sua família. Esse e outros dois livros (A mulher dos pés descalços e Baratas) são parte de uma trilogia sobre o genocídio.

• novembro: Bielorrússia
A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Alexijevich
Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015. Nesse livro potente, a história da Segunda Guerra Mundial é contada a partir do ponto de vista das mulheres soviéticas. Fato é que em muitos conflitos, os homens formaram a frente de batalha, enquanto às mulheres foi designado ficar em casa e cuidar dos filhos da pátria. No entanto, Alexijevich nos apresenta uma nova história, até então ignorada e silenciada.

• dezembro: Inglaterra
Silas Marner – George Eliot
Isso mesmo, o nome é George Eliot, e sim, é uma mulher! George Eliot é, na verdade, o pseudônimo de Mary Ann Evans, uma das maiores escritoras inglesas da Era Vitoriana. Criada no campo, numa família muito religiosa, rompeu com o cristianismo e isso refletiu em sua vida e suas escolhas: ela subverteu os padrões que a sociedade impunha para as mulheres da época. Mary Ann Evans foi uma das primeiras mulheres a conquistar seu lugar no cânone literário e inscrever seu nome na literatura inglesa e mundial. No entanto, Evans só foi publicada na época por usar um pseudônimo masculino – que foi escolhido em homenagem ao seu companheiro, George Henry Lewes, oficialmente casado com outra mulher -, por isso é comum ver o pronome “ela” relacionado ao nome George Eliot na maioria dos textos sobre a autora. 

* Pré-selecionamos alguns livros que estavam na nossa lista há um tempão, maaaaas estamos super abertas a sugestões: @eunaoseilogaritmo