The African trilogy

Século XX: depois de financiar duas guerras mundiais, a Inglaterra é forçada a abandonar 300 anos de colonização em apenas três décadas. À imposição violenta de sua língua e instituições em territórios africanos se segue a retirada estabanada que inicia o processo de descolonização das porções britânicas do continente. No caso da Nigéria, essa...

Chinua Achebe, Ngũgĩ wa Thiong’o e a configuração linguística pós-colonial no continente africano

A configuração linguística pós-colonial no continente africano é muito representativa tanto da diversidade dos povos autóctones quanto da violência do contato entre as civilizações europeias e africanas: a África registra mais de duas mil línguas faladas, além de quase oito mil dialetos; entre os 54 países do continente, seis deles falam português, oito falam...

Cartas de Caio F.

Para terminar a nossa série #orgulho, decidimos falar um pouco sobre o grande Caio Fernando Abreu. Dono de uma obra que vai muito além da temática LGBT (sua erudição pop-contracultural e voz narrativa altamente poética são tão cativantes que é difícil encontrar algum jovem escritor no Brasil que não apresente, em algum nível, influência...

A autobiografia de Alice B. Toklas

Em Paris é uma festa, Hemingway descreve Gertrude Stein como um ser excepcionalmente obstinado e vaidoso. Não se podia, por exemplo, mencionar James Joyce perto dela: “Se alguém se referisse duas vezes a Joyce, não seria convidado a voltar. Era como fazer referências elogiosas a um general na presença de outro general. Você aprende...

Frankenstein

Esta semana vimos o filme Mary Shelley (Haifaa al-Mansour, 2017), com Elle Fanning no papel principal. O filme em si, que está disponível na Netflix, não é nenhum grande sucesso de púbico (tem a nota 6.4 no IMDb), mas Fanning faz um ótimo trabalho trazendo à vida a escritora da história de terror mais...

Orlando: Uma biografia

A melhor palavra para começarmos a falar sobre Orlando: Uma biografia, de Virginia Woolf, é “graça”, nas duas acepções comuns da palavra: “graça” de humor, comicidade, pois o livro é engraçadíssimo, e “graça” de elegância, beleza, pois o texto é de finíssimo acabamento e alcança alturas estratosféricas de realização poética.  Com relação àquela primeira acepção,...

Temporada

O interfone tocou e era José Leandro falando para por favor verificarmos a porta da frente porque tinha chegado correspondência. Agradeci cordialmente, desejei uma boa tarde e fui logo verificar o capacho do hall, que é onde Leandro cuidadosamente deposita as caixas, cartas e revistas que recebemos quase diariamente pelo correio – sem contar...

A história sem fim

Originalmente publicado em 1979, em alemão (Die Unendliche Gestchichte), essa fantasia imortal de Michael Ende voltou a mim através do tempo (e da Estante Virtual). Achei essa ediçãozinha clássica da Martins Fontes em um sebo de Goiânia e ontem ela chegou pelo correio depois de uns dias de expectativa e ansiedade.  Um dos primeiros...

Gabriela, cravo e canela

Em sua Breve história da literatura brasileira, publicada em 1945, Erico Verissimo propõe no capítulo final a seguinte ponderação: “Qual é o romance mais representativo do Brasil? Para responder adequadamente a essa pergunta é preciso, antes de tudo, descobrir qual é a região ou grupo humano mais representativo de meu país, e não creio que...

Imunidade

Baixamos esse e-book no fim de semana passado, quando a editora Todavia disponibilizou-o gratuitamente para download durante dois dias (valeu, Todavia!). A leitura surpreendentemente leve de um texto repleto de informação é possível por causa de dois fatores principais: Eula Biss adota um tom muito pessoal, conversacional mesmo, para relatar suas aventuras como mãe...