As entrevistas da Paris Review

Esse primeiro volume de coletâneas de entrevistas da Paris Review foi um pequeno tesouro que achei sem querer na biblioteca do IFCH, há uns anos. Retirei o volume para ler a do Borges, mas acabei lendo todas as catorze mesmo por causa do naipe dos entrevistados e da qualidade das conversas (a “entrevista da...

Melhores de 2020

O ano de 2020 não foi exatamente um ano brilhante para a humanidade. Entre plots de um vírus mortal à solta e seus impactos nas economias nacionais que nem os mais clarividentes cientistas poderiam prever, polarizações insolúveis e distanciamentos compulsórios, vivemos nossas pequenas vidinhas enclausurados no esforço mundial de contenção do contágio e no...

Vamos comprar um poeta

Sempre que eu me deparo com algum absurdo lógico embasado num dogma religioso e ensaio uma espécie de dissecação, não demora muito até que me invadam algumas certezas: antes de mais nada, a fé religiosa é tão universal porque é tão constantemente professada e reiterada. Você, provavelmente, foi ensinado desde pequeno a rezar, por...

The African trilogy

Século XX: depois de financiar duas guerras mundiais, a Inglaterra é forçada a abandonar 300 anos de colonização em apenas três décadas. À imposição violenta de sua língua e instituições em territórios africanos se segue a retirada estabanada que inicia o processo de descolonização das porções britânicas do continente. No caso da Nigéria, essa...

Chinua Achebe, Ngũgĩ wa Thiong’o e a configuração linguística pós-colonial no continente africano

A configuração linguística pós-colonial no continente africano é muito representativa tanto da diversidade dos povos autóctones quanto da violência do contato entre as civilizações europeias e africanas: a África registra mais de duas mil línguas faladas, além de quase oito mil dialetos; entre os 54 países do continente, seis deles falam português, oito falam...

Cartas de Caio F.

Para terminar a nossa série #orgulho, decidimos falar um pouco sobre o grande Caio Fernando Abreu. Dono de uma obra que vai muito além da temática LGBT (sua erudição pop-contracultural e voz narrativa altamente poética são tão cativantes que é difícil encontrar algum jovem escritor no Brasil que não apresente, em algum nível, influência...

A autobiografia de Alice B. Toklas

Em Paris é uma festa, Hemingway descreve Gertrude Stein como um ser excepcionalmente obstinado e vaidoso. Não se podia, por exemplo, mencionar James Joyce perto dela: “Se alguém se referisse duas vezes a Joyce, não seria convidado a voltar. Era como fazer referências elogiosas a um general na presença de outro general. Você aprende...

Frankenstein

Esta semana vimos o filme Mary Shelley (Haifaa al-Mansour, 2017), com Elle Fanning no papel principal. O filme em si, que está disponível na Netflix, não é nenhum grande sucesso de púbico (tem a nota 6.4 no IMDb), mas Fanning faz um ótimo trabalho trazendo à vida a escritora da história de terror mais...

Orlando: Uma biografia

A melhor palavra para começarmos a falar sobre Orlando: Uma biografia, de Virginia Woolf, é “graça”, nas duas acepções comuns da palavra: “graça” de humor, comicidade, pois o livro é engraçadíssimo, e “graça” de elegância, beleza, pois o texto é de finíssimo acabamento e alcança alturas estratosféricas de realização poética.  Com relação àquela primeira acepção,...